29
fev

Céu aberto para as estrangeiras

Author: Amadeus - Departamento de Comunicação

Enquanto as duas maiores empresas aéreas brasileiras retomam aos poucos as rotas internacionais e abrem novas freqüências em outras fronteiras, as estrangeiras que operam no Brasil seguem voando tranqüilas em céu aberto. Movimentam mais cargas a cada ano, transportam cada vez mais passageiros e nunca lucraram tanto no Brasil como nos últimos tempos. Com os números em alta, consolidam sua posição em um mercado que, há apenas três anos, era dominado por uma única empresa — a brasileira Varig, que ainda em 2005 respondia por nada menos do que 30% do tráfego aéreo entre o Brasil e outros países.

Hoje os tempos são outros. Juntas, as estrangeiras já respondem por cerca de 70% do segmento. Ocuparam o vácuo deixado pela crise da Varig e beneficiaram-se com a inviabilidade de outras empresas brasileiras recuperarem esse espaço. A portuguesa TAP, pela primeira vez na história, ultrapassou em dezembro de 2007 a marca de um milhão de pessoas embarcadas nas linhas entre Lisboa e as sete capitais brasileiras onde atua. Em números absolutos, o Brasil foi a segunda área onde a companhia mais cresceu no mundo. Ficou atrás apenas da Europa, base da empresa.

A história se repete na líder do segmento, a American Airlines. As receitas da empresa no ano passado foram 17% maiores na comparação com os já excelentes resultados de 2006. Em dezembro último, ela obteve número recorde de passageiros transportados nas linhas com o Brasil. Cresceu 7% em relação a 2006 e também superou, com folga, a marca de um milhão de embarques e desembarques.

Também é assim com outras grandes do setor, a exemplo de Air France e Lufthansa, esta uma das líderes no segmento de cargas. Nos dados parciais do ano fiscal 2006-2007, a companhia francesa teve média de ocupação de 89,6% em suas operações no Brasil — alta de 2,5 pontos em relação ao ano anterior. A companhia alemã, que divulga apenas os números em nível mundial (considera informações estratégicas os dados sobre o transporte de cargas e passageiros), obteve outro recorde em 2007: apenas nos primeiros nove meses do ano passado, registrou lucro operacional de 1,1 bilhão de euros com suas operações globais, o que representa um crescimento de 57%.

Mesmo as empresas que não estão entre as primeiras no volume de trafego aéreo no Brasil comemoram o momento atual. A British Airways cresceu 49% com suas operações por aqui entre abril de 2006 e março de 2007. A estratégia de atrair o público corporativo, que incluiu a reformulação da primeira classe, gerou movimento de passageiros 30% maior.

Nada mais natural. Além da crise da Varig, há outros fatores que determinaram o sucesso dessas e outras empresas que operam no País. A baixa do dólar e a valorização do real no período animaram muitos brasileiros a fazer as malas e tocar para o aeroporto. Passagens aéreas ficaram mais baratas. Destinos na Europa e, principalmente, nos Estados Unidos tornaram-se mais acessíveis. “A Varig já teve uma participação muito forte no tráfego internacional, que chegou perto dos 50%. Mas, com a crise que abalou a companhia, grande parte da demanda acomodou-se nas estrangeiras”, comenta Norberto Jochmann, diretor-secretário da Jurcaib (Junta dos Representantes das Companhias Aéreas Internacionais no Brasil). “Há três anos temos um mercado crescente, com forte demanda para o exterior”, ele acrescenta, citando a situação econômica favorável no Brasil como outro fator que incrementou as estatísticas das empresas.

De olho nesses potenciais passageiros, as aéreas brasileiras começam a se mexer. Depois de uma longa disputa pelo mercado doméstico, a compra da Varig pela Gol esquentou a briga com a TAM pelas linhas internacionais. Aos poucos,

elas vão ocupando a lacuna que ficou aberta nos últimos anos e, ao longo de 2007, anunciaram algumas freqüências para além de nossas fronteiras. Mesmo assim, ainda estão longe da concorrência que vem de fora.

Os Estados Unidos ilustram bem esse desequilíbrio. O acordo bilateral firmado entre brasileiros e norte-americanos prevê para cada país um máximo de 105 freqüências semanais. Eles já atingiram seu limite e tentaram rever essas condições para abrir novas linhas — em dezembro último, o governo brasileiro negou o pedido justamente para evitar que a diferença aumente. Do lado das brasileiras, são apenas 35 vôos por semana, todos operados pela TAM nas rotas para Miami e Nova York. “E aí que existe uma grande falta de ocupação das brasileiras.

Veículo: AeroMagazine

Nenhum comentário para “ Céu aberto para as estrangeiras ”

Deixe um comentário!

Quer exibir sua foto? É fácil, basta cadastrar no site Gravatar o e-mail utilizado para fazer os comentários.






Anti-Spam Quiz: